
estadao.com.br · Feb 23, 2026 · Collected from GDELT
Published: 20260223T233000Z
Compartilhar a cama pode ser uma experiência maravilhosa para você e seu parceiro: aconchegante, sexy, serena. Mas muitos de nós provavelmente também conhecem os cenários alternativos: tremendo de frio e exposto depois que seu parceiro puxa o edredom; incapaz de dormir por causa do ronco alto como um cortador de grama, ou sem conseguir desligar o despertador antes que sua querida pessoa notívaga acorde cedo demais — e nada satisfeita.PUBLICIDADENão apenas o sono interrompido ameaça a paz do relacionamento, como também prejudica o seu bem-estar. “O sono afeta todos os aspectos da fisiologia humana, seja cardiovascular, metabólica ou a saúde mental”, afirma Nathaniel Watson, professor de medicina e codiretor do Centro de Sono da University of Washington Medicine. “Você precisa ser seu próprio defensor e protetor do seu sono, porque é assim que você apresenta a melhor versão de si mesmo ao mundo”, acrescenta.Felizmente, os problemas mais comuns de compartilhar a cama são totalmente solucionáveis — ou, pelo menos, passíveis de acordo.Compartilhar a cama com outra pessoa pode gerar alguns momentos de estresse, mas há como resolvê-los Foto: MicroOne/Adobe Stock O problema: “Eu gosto de um colchão firme. Ele gosta de macio”Se vocês não conseguem concordar sobre um colchão que agrade aos dois, Craig Fruchtman, proprietário da Craig’s Beds, em Midtown Manhattan, diz que a solução mais fácil é simplesmente comprar dois colchões “e juntá-los”. Dois colchões de solteiro acabam tendo as mesmas dimensões de um colchão de casal, e você pode colocá-los lado a lado na mesma estrutura de cama. Apenas certifique-se de medir se estiver comprando de marcas diferentes — nem todos terão a mesma altura, embora, em caso de necessidade, suportes possam nivelar a diferença.PublicidadeComo alternativa, você pode colocar sobre um colchão firme um topper estreito de espuma ou penas para a pessoa que prefere maciez; só não faça o contrário: “Se a cama já é irregular e colocam algo firme por cima, ela só vai ficar ainda mais irregular”, informa ele.O problema: “Eu gosto de escuridão. Eles querem deixar a luz acesa”“Qualquer luz pode atrapalhar o sono”, aponta Ana Krieger, especialista em medicina do sono do NewYork-Presbyterian e da Weill Cornell Medicine. Idealmente, seu quarto deveria ficar escuro durante as horas de sono, o que pode ser conseguido com cortinas blackout ou persianas. Mas, se seu parceiro vai levantar para ir ao banheiro no meio da noite, ou entrar na cama um pouco depois de você, não é desejável que ele fique andando às cegas. Ana aconselha um meio-termo na forma de uma luz fraca embaixo da cama ou uma luz noturna com sensor de movimento, apenas forte o suficiente para enxergar e se orientar.Além do quarto, Ana também gostaria de ver mais casas com reguladores de intensidade de luz. “O período que envolve a hora de dormir, como uma hora ou uma hora e meia antes de deitar, a exposição à luz precisa ser minimizada para um sono melhor”, esclarece. Mesmo que você esteja apenas esvaziando a lava-louças ou escovando os dentes sob luz forte, pode ter dificuldade depois para alcançar um descanso adequado.PublicidadeO problema: “Eu sou matutino. Ela é notívaga”Os ciclos de sono da maioria das pessoas são programados no corpo; se você é notívago, talvez consiga treinar-se para dormir e acordar mais cedo, mas provavelmente nunca se transformará em um verdadeiro madrugador, diz Shelby Harris, especialista em sono da Albert Einstein School of Medicine e autora de The Women’s Guide to Overcoming Insomnia. Por isso, forçar-se, como casal, a dormir e acordar no mesmo horário só cria ressentimento. Em vez disso, Shelby aconselha que os casais considerem abraçar-se — ou fazer outras atividades românticas antes de dormir — e depois cada um seguir seu próprio caminho, seja adormecendo ou ficando acordado com um livro.Quanto a acordar em horários diferentes sem perturbar um ao outro, Shelby sugere olhar despertadores projetados para pessoas com deficiência auditiva. Muitos acordam por vibração, seja na forma de um dispositivo plano que você coloca sob o travesseiro ou um relógio de pulso (um Apple Watch também pode fazer isso, mas por um preço bem mais alto). Se um parceiro estiver disposto a usar máscara de dormir, o Wirecutter também recomenda vários despertadores com simulação de nascer do sol, que acordam com uma luz muito intensa.Leia tambémMatutino, intermediário ou noturno? Faça um teste para descobrir seu cronotipoSe você precisa do despertador para levantar da cama, não está dormindo bem, afirma neurocientistaO problema: “Ele gosta de ficar no celular antes de dormir. Isso não é ruim?”Depende. Watson deixa claro que ficar olhando para telas antes de dormir não é aconselhável. Ainda assim, reconheceu que “o que é um problema para uma pessoa não é necessariamente para outra”. Pesquisas mostram que os comprimentos de onda azuis emitidos por dispositivos como laptops e celulares podem ser estimulantes, mas para algumas pessoas isso não causa problemas de sono. Também pode não ser a luz azul em si, mas o tipo de conteúdo consumido que provoca a interrupção do sono.PublicidadeCONTiNUA APÓS PUBLICIDADESe você ou seu parceiro insiste em telas na cama, Watson sugere limitar a exposição à luz azul ajustando manualmente as configurações do celular ou usando óculos com filtro de luz azul. Mesmo assim, ele reforça a orientação da maioria dos especialistas em sono de manter a cama como um lugar onde apenas dormir e fazer sexo acontecem. “Queremos que, quando sua cabeça encoste no travesseiro, seu corpo saiba definitivamente que ‘Agora é hora de dormir’. Não algo como ‘Agora é hora de ver TV, olhar o celular ou ter uma conversa envolvente de uma hora com meu filho’”, exemplifica.O problema: “Eu quero nosso pet na cama conosco, ela não”Infelizmente, seu parceiro provavelmente está certo nessa. Muitas pessoas “não percebem que seus gatos ou cães estão perturbando o sono porque acham isso tão fofo e agradável”, comenta Ana. Isso, claro, traz dois problemas: como treinar o animal para dormir fora da cama e como treinar o humano para dormir sem o animal?“As pessoas se sentem mais confortáveis quando têm alguém na cama com elas”, reconhece Ana, mesmo que esse alguém seja um pet. “Então tentar sentir-se seguro no ambiente doméstico é muito importante.” Uma solução que ela sugere é treinar seu pet para dormir na própria cama, dentro do seu campo de visão — até saber que ele está no quarto pode trazer o mesmo conforto de tê-lo por perto.O problema: “Um de nós sente calor. O outro sente frio”Em muitos casais há diferença na temperatura preferida. Mas é melhor priorizar quem sente calor. “Um quarto mais frio é mais fácil de lidar porque você sempre pode colocar roupas extras ou ter seus próprios cobertores”, observa Ana. “Mas é muito difícil quando as pessoas começam a sentir muito calor à noite, porque isso afeta significativamente o sono.”PublicidadeMuitas marcas oferecem colchões com tecnologia de resfriamento, embora Craig ressalte que, depois de colocar protetor e lençóis, qualquer benefício costuma ser insignificante: “Eu digo aos clientes: ‘Não acho que você vai sentir calor’, com colchões refrescantes, ‘mas também não acho necessariamente que vai sentir frio’.”Em vez disso, especialistas sugerem manter o quarto mais fresco com ar-condicionado e optar por roupas de cama individualizadas. Shelby recomenda o método escandinavo de sono, recentemente popularizado nas redes sociais, em que cada pessoa usa seu próprio cobertor sobre os mesmos lençóis. (Você pode dobrar um edredom ao meio à noite e puxá-lo pela cama de manhã se não gostar da estética misturada, acrescenta). Para quem sente muito frio, um cobertor elétrico pode ser um bom investimento. Ou, “não é sexy para as pessoas, mas usar meias para dormir” também pode ajudar, acrescenta Shelby.Leia tambémQual é a temperatura ideal para dormir?Roncar é normal? Veja quando pode ser uma preocupação de saúdeO problema: O movimento constante dele(a) me acorda.Embora muitos movimentos inquietos possam ser sinal de um distúrbio do sono, “algumas pessoas são mais agitadas dentro de um espectro de sono normal”, explica Ana. Se o movimento de você ou do seu parceiro está mantendo o outro acordado, uma cama um pouco maior pode aliviar o problema, e uma feita de espuma viscoelástica terá menos transferência de movimento, diz Craig.PublicidadeMas, para a maior redução de movimento, Craig sugere olhar não para a cama, mas para a estrutura. “Eles deveriam considerar os móveis e o peso dos móveis”, informa, garantindo que o colchão fique perfeitamente plano. “Quando estão planos, não se movem. Então esse pode ser um motivo para comprar uma base ajustável ou uma base simplesmente muito sólida.”O problema: “ZZZZZZZZZZ!”Entre os pacientes de Shelby, o ronco é uma das fontes mais comuns de interrupção do sono, tanto para eles quanto para seus parceiros. “É o ronco na cama e isso faz com que acordem ou tenham dificuldade para adormecer”, diz Shelby.O ronco pode ser sinal de problemas de saúde maiores, mas também pode ser intermitente, agravado por fatores como alergias ou consumo de álcool. Seja qual for o caso, tente não ouvi-lo: uma máquina de ruído branco pode abafar sons de ronco mais suaves, mas, para casos mais altos, tente combinar a máquina de ruído branco com tampões de ouvido. “O desafio é que muitas vezes eles caem”, alerta Ana, por isso ela recomenda optar por tampões impermeáveis de natação, em vez dos de espuma comuns, por terem um pouco mais de fixação.O problema: “Nada está funcionando. Meu parceiro e eu não conseguimos dormir na mesma cama”Então não durmam! Ana fala: “Existem diferentes aspectos de dormir juntos, certo? Há o envolvimento físico ou sexual, romântico. E depois há o sono.” Muitos casais realmente melhoram o relacionamento quando escolhem dormir separados, ou o chamado “divórcio do sono”, como a prática passou a ser conhecida. Alguns casais escolhem dormir separados em certos dias da semana, ou