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Profissionais de saúde com obesidade sofrem preconceito de pacientes
estadao.com.br
Published about 22 hours ago

Profissionais de saúde com obesidade sofrem preconceito de pacientes

estadao.com.br · Feb 21, 2026 · Collected from GDELT

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Published: 20260221T133000Z

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Médicos, nutricionistas e educadores físicos com obesidade estão enfrentando o descrédito de pacientes devido ao excesso de peso. Em muitas situações, o corpo dos profissionais de saúde é mais avaliado do que seus currículos e sua capacidade de conduzir tratamentos.A personal Natália Mota luta contra o preconceito com profissionais da saúde fora do "padrão". Foto: Pedro Kirilos/EstadãoPUBLICIDADEPreconceitos e julgamentos, manifestados de forma direta ou discreta, são uma realidade na vida de milhões de pessoas com obesidade no País. Mais de 85% já passaram por situações de gordofobia, de acordo com um levantamento de 2022 da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) e da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).Essa postura preconceituosa também se manifesta nos consultórios. Um estudo publicado em 2013 na revista Obesity revelou que médicos acima do peso ou obesos enfrentam barreiras de confiança. Segundo a pesquisa, os pacientes tendem a atribuir menor credibilidade e autoridade a esses profissionais, o que gera maior resistência em seguir orientações ou tratamentos.Leia também‘1 treinador vs 30 gordos’ expõe despreparo coletivo ao lidar com obesidadeVocê pode ter o peso adequado, mas ser metabolicamente obeso; saiba como suspeitar do quadroO endocrinologista baiano Sérgio Braga, de 58 anos, reconhece que, na medicina, o corpo do profissional é frequentemente avaliado como um cartão de visitas e conta que o julgamento estético marcou sua trajetória. Publicidade“No meu primeiro emprego, ouvi de quem me selecionou: ‘Ah, apesar de ser gordinho, a gente vai te contratar’. Era em uma clínica que atendia pacientes com obesidade. Ao longo da vida, vi essa situação se repetir com superiores e pacientes”, descreve.Braga carrega no currículo a diretoria do Hospital da Obesidade, em Salvador, e 35 anos de exercício da profissão, mas nem sempre sua competência é avaliada pelo diploma em Medicina conferido pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e por sua experiência.Sérgio Braga é diretor do Hospital da Obesidade, na Bahia, e já sofreu gordofobia. Foto: Arquivo pessoal“Já tive pacientes que duvidaram da minha capacidade em tratar a obesidade porque eu também me apresentava doente. Respondia: ‘Quando você vai ao cardiologista, pergunta se ele já teve algum infarto? Se ele é hipertenso e toma algum remédio para pressão? Não. Porque a doença não é visível no caso da cardiologia. Já a obesidade pode incomodar visualmente e fazê-lo achar que não tenho capacidade de tratá-lo’”, recorda.Para ele, “o preconceito persistente na área da saúde nasce do desconhecido e de um atraso histórico da ciência”. O endocrinologista lembra que a obesidade só foi incluída na Classificação Internacional de Doenças (CID) em 1989.PublicidadeO endocrinologista critica ainda a formação acadêmica, que, até pouco tempo atrás, ignorava o tema. “Na minha especialização na UFBA, praticamente ninguém falava de obesidade. Havia professores que nem gostavam de tratar do assunto”, recorda.Natália Mota chegou a se afastar do trabalho em academias por se sentir rejeitada. Foto: Pedro Kirilos/EstadãoA educadora física Natália Mota, de 41 anos, também é confrontada diariamente com o julgamento de sua atuação profissional em razão de seu corpo. A carioca acumula mais de duas décadas de experiência na área, porém sofre com a gordofobia, sobretudo quando trabalha em academias.“É incoerente um educador físico ser sedentário. A questão é que as pessoas acreditam que apenas quem tem um corpo padrão e com músculos se exercita. Não é verdade. Sou gorda e treino diariamente há anos. O problema está na gordofobia”, diz.Natália afirma que deixou de buscar oportunidades de trabalho em academias por medo do preconceito e optou por dar aulas de Educação Física em escolas por se sentir “rejeitada no meio fitness”. Depois de dois anos, porém, voltou a atuar como instrutora de musculação.PublicidadeCONTiNUA APÓS PUBLICIDADE“Na academia, já ouvi falarem que ‘não tem como contratar personal gordo. Se ele não consegue emagrecer, como vai emagrecer os alunos?’. De resto, percebo e sinto o preconceito. Quando trabalhava no salão de musculação, muitas pessoas faziam questão de treinar comigo. A agenda era cheia. Porém, quando elas decidiam fazer personal, escolhiam um que tinha corpo padrão”, relata.“As pessoas gostam do meu trabalho, mas, na hora de pagar o personal, escolhem um profissional que não conhecem com ‘shape’ (corpo dentro de padrões fitness). O corpo vale mais”, lamenta.A nutricionista Fabiana Poltronieri, de 55 anos, conta já ter sido questionada sobre a própria saúde em consultas. “Conheço cardiologistas que infartam, pneumologistas que tossem e dentistas com cárie. Não somos infalíveis. Temos características próprias que não têm a ver com a competência. Esse reducionismo de análise atrapalha todas as áreas”, desabafa a diretora da Associação Brasileira de Nutrição (Asbran) e professora de pós-graduação na Universidade Federal do Mato Grosso (UFMS).Para ela, reduzir a capacidade técnica de alguém aos indicadores biológicos é uma prática cruel e o foco do debate público na área deveria ser a qualidade da alimentação coletiva.PublicidadePara Fabiana Poltronieri, usar o peso corporal como parâmetro do trabalho alheio é um erro. Foto: Reprodução/@fabianapoltronieri no Instagram“Querer medir a potência do trabalho alheio usando o peso corporal como parâmetro é um equívoco. Não podemos deixar de ‘beber das águas profundas’ do conhecimento por causa do peso na balança. Temos que discutir a qualidade do que estamos comendo”, reforça.A docente destaca que os nutricionistas não são “emagrecionistas”, mas estudiosos dos alimentos, e que, muitas vezes, ser uma profissional com obesidade cria um ambiente de maior acolhimento para pacientes que já sofrem com estigmas.“O atendimento deve ser acolhedor independentemente do peso. No entanto, o controle social sobre as mulheres é muito maior. Aceitamos um cardiologista homem com obesidade, mas questionamos a competência de uma mulher na mesma situação”, critica ela.Natália concorda que “as mulheres são mais cobradas” a se encaixarem em padrões corporais. “Vivemos em uma sociedade em que a estética feminina tem um peso bem maior, mas os homens obesos também sofrem”, reflete.PublicidadeIdentificação e acolhimentoSe, por um lado, muitos pacientes ainda julgam os profissionais por sua aparência, há um grupo crescente de pessoas que vê neles a oportunidade de acolhimento livre de julgamentos.Segundo Fabiana, diversos alunos com obesidade relatam que se sentiram encorajados ao conhecê-la e encontram em sua trajetória o incentivo necessário para seguir carreira na Nutrição.“Eles precisam de uma referência de competência para entender que ser um nutricionista com obesidade não é um atestado de incompetência. O comportamento gordofóbico existe do profissional de saúde com o paciente, e do paciente para o profissional”, pontua.Braga afirma que, atualmente, muitos pacientes o procuram para fugir de profissionais que não compreendem a complexidade da doença. “Alguns evitam médicos muito magros por medo de não serem compreendidos.”Publicidade“Alguns (pacientes) evitam médicos muito magros por medo de não serem compreendidos”, diz o endocrinologista Sérgio Braga. Foto: Arquivo pessoalJá Natália utiliza a experiência pessoal com a obesidade para planejar os treinos dos alunos. A personal trainer compreende as limitações físicas e emocionais impostas pela doença.“Sei que a barriga e o peso incomodam em certas posturas e que o aluno pode sentir constrangimento. Avalio os limites sem que ele precise falar. Incentivo com afeto para que ele saia satisfeito, em vez de frustrado.”


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