
em.com.br · Feb 23, 2026 · Collected from GDELT
Published: 20260223T214500Z
Você sabia que o potencial de saúde, inteligência e estabilidade emocional de um adulto não começa a ser construído na escola ou na faculdade? Na verdade, os alicerces mais importantes da vida são moldados em um intervalo preciso de tempo: os primeiros mil dias. Esse período, que compreende os 270 dias da gestação somados aos 730 dias dos dois primeiros anos de vida, faz parte da campanha “Fevereiro Safira – primeiros mil dias: pelo futuro das crianças”, promovida pela Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), e é considerado pelos profissionais de saúde como uma "janela de oportunidades" única e irrepetível, pois esse é o período de maior desenvolvimento do ser humano. Fome no Brasil: como desnutrição atrasa desenvolvimento infantil em cada etapa da vida Infância: estudo aponta que evitar açúcar antes dos 3 anos é benéfico De acordo com a pediatra Alessandra Ribeiro, o que acontece nessa fase reverbera por todas as etapas da vida, desde a juventude até o envelhecimento. "É nesse período que a criança vai desenvolver seu máximo potencial, que vai reverberar por toda a sua vida, incluindo vida adulta, jovem adulto, adulto maduro e idoso, para ter uma saúde plena no futuro", explica. Planejamento começa antes da gravidez O cuidado ideal para o desenvolvimento da criança deve começar antes mesmo da gravidez, embora o senso comum foque no nascimento. O acompanhamento da mulher que planeja engravidar, ou "tentante", é o cenário perfeito para preparar o ambiente biológico que receberá o embrião. “Essa mãe precisa já ser acompanhada desde o momento em que ela é uma tentante para observar como está esse ambiente para esse futuro bebê se desenvolver”, esclarece a pediatra. Nessa etapa, o foco principal é o cérebro do bebê. O desenho de uma suplementação específica para o sistema neuronal garante que a criança nasça com as habilidades necessárias. Um dado fundamental para as mães é que, quando a gestante é devidamente suplementada, o bebê nasce com um "estoque" nutricional suficiente para os primeiros seis meses de vida, período em que o aleitamento materno deve ser exclusivo. “Quando a gestante foi devidamente suplementada, a gente não se preocupa em suplementar esse bebê a princípio”. Alessandra Ribeiro é pediatra e hebiatra, com um olhar especializado em medicina integrativa e antroposofia Arquivo pessoal Nutrição e neurodesenvolvimento A partir dos seis meses, com o início da introdução alimentar, o desafio se renova. É o momento de alinhar a alimentação sólida com uma suplementação estratégica, já que o primeiro ano de vida é marcado por um desenvolvimento cerebral extremamente acelerado. Neste contexto, a nutrição não é apenas sobre "matar a fome", mas sobre fornecer o combustível exato para que os neurônios façam as conexões corretas. O sucesso dessa etapa, contudo, depende de um acompanhamento profissional de confiança. A busca por soluções rápidas em mídias sociais é apontada como um dos maiores riscos atuais, podendo gerar desinformação e aumentar a ansiedade familiar. “O importante é que a família esteja junto com o profissional de saúde que está cuidando do seu bebê, está cuidando dessa mãe, para que realmente esse cuidado seja horizontal”, aconselha Alessandra. Bebês amamentados por mais tempo são mais inteligentes na adolescência Adolescência até os 30 anos e as quatro outras fases do cérebro durante a vida, segundo novo estudo Os desafios da vida moderna O ambiente em que a criança cresce é igualmente crucial para o seu desenvolvimento ideal. Um dos maiores obstáculos é a terceirização do cuidado. Quando a mãe retorna ao trabalho, a responsabilidade é dividida com creches, cuidadores ou familiares. O desafio reside em manter a unidade no cuidado. "É preciso que todos os cuidadores estejam engajados sem burlar as regras estabelecidas para a saúde da criança", alerta a pediatra. Outro vilão moderno são as telas, como celulares e tablets, usadas com frequência para entreter bebês e crianças, mas que podem prejudicar o desenvolvimento neuropsicossocial dos pequenos. Mais infância e menos performance Por fim, há uma barreira psicológica: a ansiedade das famílias. Em um mundo competitivo, muitos pais projetam cobranças de performance sobre bebês, esquecendo que o desenvolvimento humano é único e tem seu próprio tempo. Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia Garantir que um bebê seja "apenas um bebê" hoje é a melhor estratégia para garantir que ele seja um adulto saudável amanhã.