
saude.ig.com.br · Feb 20, 2026 · Collected from GDELT
Published: 20260220T220000Z
byrdyak/FreepikEspécies de morcegos frugívoros são reservatórios naturais do vírus NipahA circulação do vírus Nipah voltou a acender um sinal de alerta entre autoridades sanitárias. No estado de Bengala Ocidental, na Índia, 110 pessoas foram colocadas em quarentena após a identificação de novos casos. O cenário gerou preocupação internacional, principalmente diante do histórico de gravidade da doença.De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o patógeno foi identificado pela primeira vez em 1998, na Malásia, durante um surto que atingiu criadores de porcos. A transmissão está associada principalmente aos morcegos frugívoros, que se alimentam de frutas e atuam como reservatórios naturais, e pode ocorrer por meio de animais intermediários, como suínos. Em ambientes rurais, o contato frequente entre humanos e esses animais facilita a disseminação.Entre os principais sintomas estão febre, dor de cabeça, dores musculares, náuseas e vômitos. Em casos mais graves, a infecção pode evoluir para complicações neurológicas e respiratórias.A nova circulação no sul asiático levantou dúvidas sobre possível expansão para outras regiões, incluindo as Américas. Para a infectologista Cinara Silva Feliciano, professora do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP), o risco é considerado baixo no cenário atual.“Em relação ao risco do vírus Nipah se espalhar pelo mundo e chegar ao Brasil, pelos registros recentes comunicado pelas autoridades sanitárias, a incidência global é classificada como baixa no cenário atual. Não há evidências de disseminação para além dos países do sudeste asiático. A espécie de morcego descrita não é encontrada nas Américas, ela é mais comum em regiões da Ásia e Oceania”, explica Cinara.Apesar da baixa probabilidade de propagação global, a doença apresenta elevado índice de letalidade. Estudos da OMS indicam taxa de letalidade entre 40% e 75%.Isso ocorre porque o agente pode atingir o sistema nervoso central, provocando encefalite, inflamação cerebral que causa desorientação, confusão mental, convulsões e sonolência. Quadros respiratórios também podem se desenvolver. Mesmo entre sobreviventes, há risco de sequelas neurológicas.Cinara afirma que a detecção e a prevenção precoce são fundamentais para que a vigilância sanitária consiga desenvolver estratégias eficazes de contenção. Segundo a infectologista, medidas como a higienização frequente das mãos, o uso correto de equipamentos de proteção, a manutenção de ambientes limpos e a redução do contato com pessoas infectadas ajudam a diminuir o número de casos, a exemplo do que ocorreu durante a pandemia de Covid-19. Ela também destaca que a comunicação clara e o combate à desinformação são essenciais para um controle mais eficiente do agente viral.*Estagiária sob supervisão