
publico.pt · Feb 23, 2026 · Collected from GDELT
Published: 20260223T104500Z
Portugal é o segundo país da União Europeia onde os preços da mais habitação mais subiram desde 2020 e está entre os Estados-membros com menor poder de compra, revelam dados da Pordata. Esta informação consta de uma plataforma interactiva, lançada nesta segunda-feira, 23 de Fevereiro, pela Pordata, que, com base nos dados estatísticos do Eurostat, faz um retrato comparativo dos 27 Estados-membros da União Europeia com base em quatro temas: população, economia, custo de vida e rendimentos, energia e ambiente.De acordo com esses dados, embora Portugal tenha um custo de vida abaixo da média europeia – é o 17.º país da UE onde o cabaz de bens essenciais é mais barato –, o poder de compra da população é também o sexto mais baixo entre os 27.Assim, segundo os cálculos da Pordata, o rendimento médio anual em Portugal em 2023 (1053,9 euros) permitiria comprar o equivalente a 11 cabazes de bens essenciais, muito abaixo dos 24 cabazes que um luxemburguês conseguiria pagar com o seu rendimento médio.Além de ter um dos poderes de compra mais baixos, Portugal é o segundo país da UE com o maior aumento nos preços da habitação (24,1%), apenas ultrapassado pela Grécia (29%). “Foi na Finlândia que se registou a maior redução: em 2024, as casas custavam menos 16,3% do que em 2020”, refere a Pordata, que acrescenta que o custo da habitação aumentou em 16 dos 27 países da UE.A nível macroeconómico, a Pordata indica que a produtividade do trabalho em Portugal é a 19.º mais baixa a nível europeu: cada trabalhador contribuiu cerca de 47,7 mil euros para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2024, muito abaixo dos 194,4 mil euros na Irlanda. No entanto, Portugal está também entre os países com maior crescimento económico: entre 2020 e 2024, refere a Pordata, o PIB per capita nacional cresceu 40% em valor nominal e 10% em valor real – o sexto maior crescimento em toda a UE.No que se refere às estatísticas climáticas, Portugal é o terceiro país europeu que menos emite emissões de gases com efeito de estufa (4,8 toneladas por habitante), mas é o sétimo que menos recicla resíduos urbanos. Portugal tem uma taxa de reciclagem de 30,7%, menos de metade relativamente a países como a Alemanha (68,7%) ou a Áustria (62,8%).A plataforma agora lançada pela Pordata visa comemorar os 40 anos da adesão de Portugal à então Comunidade Económica Europeia (CEE), em Janeiro de 1986. Com dados do Eurostat, esta plataforma permite comparar as estatísticas dos 27 Estados-membros da UE e analisar a posição de Portugal sobre os diferentes tópicos face aos restantes países europeus.Portugal foi o país da UE onde entraram mais imigrantes entre 2012 e 2023Portugal foi o Estado-membro da União Europeia onde entraram mais imigrantes entre 2012 e 2023, de acordo com os mesmos dados, apesar de estar longe de ser o país com a maior percentagem de população estrangeira.No que se refere à população, a Pordata indica que Portugal foi o país da União Europeia (UE) onde entraram mais imigrantes entre 2012 e 2023, “com uma taxa de crescimento médio anual de 34,3% face a 8,8%” a nível médio europeu. O país com a segunda taxa mais elevada é a Estónia (30,3%), seguido da Lituânia (30,2%).No entanto, apesar deste aumento na entrada de imigrantes, Portugal está longe de ser o país com a maior percentagem de população residente: com 9,6%, Portugal encontra-se em 12.º lugar, muito longe do Luxemburgo, onde cerca de 47,3% dos residentes são estrangeiros – a taxa mais elevada a nível da UE.De acordo com estes dados, Portugal é o segundo país mais envelhecido da UE, apenas ultrapassado pela Itália: há 53 jovens por cada 100 idosos. Na Irlanda, o país da UE com a população mais jovem, a proporção é significativamente maior: há 122 jovens por cada 100 idosos.Em Portugal, de acordo com os dados da Pordata, apenas um quarto dos agregados familiares (25,6%) tem crianças, “menos 6,8 pontos percentuais do que em 2011”, sendo a Eslováquia o país onde há mais famílias com crianças (35,6%).Portugal é também o país da UE onde a população activa é menos escolarizada. De acordo com a Pordata, quatro em cada dez pessoas não têm ensino secundário em Portugal, muito acima de países como a Polónia ou a Lituânia, onde apenas uma pessoa em cada 10 não concluiu esse grau ensino.No entanto, na população entre os 25 e os 34 anos, “Portugal já revela uma escolarização alinhada com a média global da UE (43,2% com ensino superior face a 44,1% na UE)”, refere a Pordata.Há também cada vez mais pessoas a viver sozinhas na UE. Segundo a Pordata, entre 2011 e 2023, “mais de 25 milhões de pessoas passaram a viver sozinhas, um aumento de 28%”. “Em Portugal, foram mais 366 mil pessoas, um aumento de quase 50%”, indica a Pordata.