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Portugal não premeia o mérito , escolhe chefias através de lógicas partidárias  | Entrevista com Miguel Bastos Araújo
publico.pt
Published about 6 hours ago

Portugal não premeia o mérito , escolhe chefias através de lógicas partidárias | Entrevista com Miguel Bastos Araújo

publico.pt · Feb 22, 2026 · Collected from GDELT

Summary

Published: 20260222T103000Z

Full Article

O (nosso) plano era falar sobre o impacto das tempestades recentes na biodiversidade, mas na conversa com o biogeógrafo Miguel Bastos Araújo, professor catedrático na Universidade de Évora, vencedor do Prémio Pessoa em 2018 e investigador no Museu de Ciências Naturais de Madrid, a troca de ideias levou-nos a outro destino. Um destino mais complexo e polémico sobre um país que, na óptica do investigador, não tem prevenção, planeamento e profissionalização, mas tem um Governo que, por favores políticos, coloca as pessoas erradas em chefias importantes.Entre a ciência que “fica nas gavetas”, a fragilidade do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, a ausência de execução das estratégias climáticas e a necessidade urgente de profissionalizar a protecção civil — que, tal como a defesa e o Exército, devia funcionar como um “sistema paramilitar” que defendesse Portugal do inimigo abstracto que são os riscos naturais —, Miguel Bastos Araújo descreve um país que reage tarde e mal. “Somos um país de desenrascas”, conclui, num momento em que a transição climática já está em curso e a paisagem que conhecemos está a desaparecer.Por outro lado, afirma taxativamente: “Não é aceitável pôr as pessoas em risco e depois responsabilizar todo o país através dos impostos por decisões erradas.” Por isso, sugere uma abordagem ousada: responsabilizar criminalmente as pessoas que cometeram erros como as que, por exemplo, deixaram Alcácer do Sal submersa.As críticas mais duras vão para “a tendência lamentável” que Portugal tem e que não premeia o mérito e a experiência e, em vez disso, escolhe chefias para lugares estratégicos através de lógicas partidárias: “Quando me dizem que a resposta é a regionalização, eu digo não, a resposta é a profissionalização.”O que Portugal podia ter feito melhor na resposta a estas tempestades?Podemos sempre fazer melhor. Há questões circunstanciais e culturais; a nossa incapacidade de prevenir não é deste Governo, nem do anterior, é histórica. Nós como país não temos hábitos de planificação, não temos hábitos de prevenção, somos um país de desenrascas.Reagimos tarde?Sim. Quando estamos expostos a situações que implicam uma resposta violenta, reagimos com os fortes laços de solidariedade, mas não há prevenção.Mas temos conhecimento científico. Porque não o aplicamos?Porque fica nas gavetas. Participei na elaboração de três estratégias, uma regional, para todo o Alentejo, e duas intermunicipais. Estou a par de várias estratégias de adaptação às alterações climáticas municipais também. E os executivos gostam de dizer que têm uma estratégia de adaptação. Mas quantas das medidas que lá estão propostas foram executadas ou estão a ser contempladas?Ficam no papel.Exactamente. Mas há que passar da fase do estudo à fase de obra. Não vejo em lado nenhum que aqueles documentos, que foram feitos por técnicos e depois passam por um crivo de priorização política, estejam a ser executados.A resposta falhou?Foi uma resposta curta, em cima do joelho. Há muitas propostas feitas ao nível do que aqui são os recursos hídricos; transporte e comunicações; energia e segurança energética; equipamentos e infra-estruturas; o que fazer com as zonas costeiras; o que fazer com os planos de prevenção de saúde, planos hospitalares, etc.; no sistema alimentar; na biodiversidade; nas cidades, em termos de construção, que abordagens em termos de arquitectura é necessário ter para que as casas sejam mais resistentes, mais eficientes do ponto de vista térmico e mais resistentes a intempéries como esta que tivemos agora. Portanto, são estratégias que, quando são bem-feitas, cobrem um amplo espectro de soluções. Danos causados pelas sucessivas tempestades que devastaram Portugal nas últimas semanas Adriano Miranda Algumas mais difíceis de executar do que outras…São estratégias que existem e que se podem integrar. Umas implicam repensar algumas estruturas que temos, e outras requerem apenas adapta-las. Há coisas mais incrementais e há soluções mais de ruptura. Por exemplo, em termos de biodiversidade é mais de ruptura, mas em termos de saúde pública, é incremental.Há essencialmente a três grandes áreas de intervenção. Uma é a da protecção civil; outra, a do ordenamento do território; e, finalmente, da planificação futura das infra-estruturas. Há uns dias, vieram ter comigo para assinar um papel que pegava na questão da regionalização e nesta questão dos riscos naturais.Como assim?Usavam a má gestão deste fenómeno das tempestades como prova de que precisamos de regionalizar, ou seja, temos de regionalizar porque isto tem de ter um nível de decisão de proximidade. E o que acha disso?Bom, tenho uma relação próxima com Espanha, que tem regionalização e uma estrutura criada para fazer face às alterações climáticas de protecção civil, já direccionada para dar respostas a eventos extremos e que foi fechada, porque veio um partido político [o Partido Popular], negacionista, que mudou a orientação e a desmantelou. Teve azar, e poucos meses depois veio uma DANA [acrónimo em espanhol para depressão isolada em altos níveis], uma tempestade associada a uma cheia em que morreram mais de 200 pessoas.Durante o período inicial, o presidente [Carlos Mazón, ex-líder da Generalitat Valenciana], aquela pessoa que tinha de dar orientações e substituir aquela estrutura que ele destruiu, estava num almoço que demorou cinco horas com uma jornalista e com o telefone desligado. Portanto, quando me dizem que a resposta é a regionalização, eu digo não, a resposta é a profissionalização.A profissionalização de quem, onde?Precisamos de encarar a protecção civil e todas as estruturas políticas associadas de uma maneira equivalente ao que é a defesa do país. Nós não queremos que o Exército tenha generais e capitães nomeados que são os boys das estruturas de interesse partidário. São estruturas profissionalizadas, há uma hierarquia, há uma logística, há uma gestão eficiente e extremamente apertada de recursos escassos para cumprir objectivos, há uma optimização de orçamentos e de recursos em função dos objectivos. Portanto, isto é tudo igual ao que devia ser a protecção civil.Ou seja?A protecção civil devia ser um sistema quase paramilitar. Sendo que o inimigo não é um país estrangeiro que nos vem invadir, não é uma entidade que tem uma estratégia de ataque — é uma entidade abstracta, que neste caso podem ser riscos naturais, que tem uma estrutura muito mais imprevisível. Nós não sabemos onde é que vai haver a próxima seca, é mais ou menos aleatório. Isto implica um pensamento estratégico e uma especialização que não são compatíveis com as agendas políticas cíclicas de quatro em quatro anos, nem com aquela tendência lamentável que Portugal ainda tem, e que atravessa todos os partidos, os famosos jobs for the boys, em que há necessidade de distribuir uma série de cargos na administração pública, não com critérios de competência técnica, mas com critérios muitas vezes opacos, que podemos classificar como de confiança política em sentido lato. Muitas vezes, é o pagamento de favores. E quem paga são os cidadãos, que querem serviços públicos com qualidade — é por isso que pagamos impostos, mas, em vez disso, temos serviços que são subordinados a outros tipos de lógicas.Tenho alguma esperança de que este desastre tenha um impacto no nível de como se nomeiam as chefias para cargos públicos e na forma como se organiza o Estado. Se calhar, sou optimista, mas espero um aumento da consciência da incompetência, e espero uma certa meritocracia na distribuição destes cargos.O que existe agora, na sua opinião, é?Existe uma política de distribuição de cargos em diferentes áreas de Estado, em função de critérios de confiança política. E não é uma maneira eficaz de gerir a coisa pública. Não passa pela cabeça de ninguém que o presidente do Banco de Portugal seja um geógrafo. Da mesma maneira, não deveria passar pela cabeça de ninguém que um presidente de uma estrutura regional do ICNF seja um contabilista. O seu a seu dono. Diferentes áreas de gestão da coisa pública requerem diferentes graus de especialização, além de confiança política. É preciso que as pessoas entendam os dossiers. Estufas destruídas em A dos Cunhados, Torres Vedras, depois da passagem da depressão Kristin Nuno Ferreira Santos Acredita que devíamos agora, na altura de bonança, começar já a pensar na prevenção dos incêndios e das ondas de calor, e aproveitar o contexto desta tragédia para fazer algumas adaptações.O que sugiro, francamente, é que as entidades que gerem a construção do país tirem das gavetas as diferentes estratégias de adaptação às alterações climáticas que foram feitas com dinheiros públicos, e que se debrucem sobre aqueles documentos e as comecem a concretizar com a prioridade que considerarem mais adequada. E isso vai cobrir todas essas áreas, desde a segurança pública à biodiversidade...Falta executar.Falta executar. A minha recomendação é: parem de estudar. Eu vou continuar a estudar porque é o que gosto de fazer. Mas já temos muitos estudos. Se há regiões que não têm estratégias de adaptação, podem fazer as suas estratégias, mas quem já as possui tem de passar à fase de obra.Então é: parem de estudar e…… e comecem a executar. Há uma parte que é obra, os engenheiros vão ficar muito contentes, porque há muitas obras a fazer.Há uma parte cinzenta e há uma parte verde.Sim, há uma parte verde e cinzenta. Tenho colegas que dizem que tudo se resolve com verde. E depois há outros, dos cinzentos, que dizem que não, que isto é tudo uma questão de engenharia, de obra pública. Tenho uma boa notícia: são as duas coisas. Não há balas de prata.Portugal tem de reduzir a quantidade de água que chega aos rios muito depressa. Para isso, é preciso ordenamento do território a montante, nas encostas, nas montanhas, nas florestas. Temos de desobstruir os leitos de cheia, as planícies de inundação têm de estar desobstruídas de habitações humanas e a agricultura que lá se faz tem de estar preparada para cheias, porq


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