
brasildefato.com.br · Feb 23, 2026 · Collected from GDELT
Published: 20260223T193000Z
O acesso à cannabis medicinal no Brasil ainda é marcado pelo alto custo, muitas vezes restrito a quem tem maior poder aquisitivo. Mas, no ABC paulista, uma parceria pioneira entre sindicatos de metalúrgicos e a Associação Flor da Vida está mudando essa realidade. O convênio, que já beneficia centenas de trabalhadores e seus familiares, oferece tratamento para dores crônicas, doenças ocupacionais e condições como o autismo, levando o cuidado direto para a classe trabalhadora. A parceria entre a Associação Flor da Vida e os sindicatos da região do ABC nasceu em 2023. Desde então, mais de 600 pessoas, entre trabalhadores e familiares, são beneficiadas pelo convênio, que oferece óleo a preços acessíveis, consultas médicas e psicológicas. A iniciativa partiu da Comissão pessoa com Deficiência, onde a luta por direitos se transformou em cuidado. Pioneiro, o Metalúrgicos do ABC foi o primeiro sindicato a abrir suas portas para a Flor da Vida, como conta Andreia Ferreira de Souza, diretora executiva da entidade. “Nós fomos o primeiro sindicato a fechar parceria com a Flor da Vida. O nosso espaço chama-se Cauã Brás, nós demos essa homenagem ao filho de um trabalhador, porque se não fosse por ele, nós não conheceríamos a Flor da Vida”, conta Andreia Ferreira de Souza, diretora executiva do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. A ideia surge em um cenário de preços ainda proibitivos para a maioria da população. Enquanto a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) avança com resoluções que podem facilitar o acesso, como a que permite a farmácias manipular canabidiol e os futuros editais para cultivo controlado por associações, a realidade diária de quem precisa do medicamento é outra. Enor Machado, presidente e fundador da Associação Terapêutica Cannabis Medicinal Flor da Vida, aponta o custo como a maior barreira desde a regulamentação. “Você pega a cannabis regulamentada no Brasil desde 2014. A gente já passa de 10 anos com esse medicamento sendo reconhecido pela Anvisa por várias situações de uso em questões de saúde, porém é muito caro. Resumindo, o acesso da cannabis até hoje é para quem tem grana”, revela. Segundo ele, os trabalhadores deveriam ter acesso facilitado aos produtos terapêuticos da planta desde o início dos sintomas. “O trabalhador que está ali no chão de fábrica que está lutando dia a dia para levar o pão para casa, que tem esse problema de saúde, que na maioria das vezes esse contexto de trabalho psicossocial, socioeconômico, impacta direto na doença e isso vem piorando com os tempos. Então, resumindo, o pessoal que tem menos condições acaba agravando mais as doenças por falta, vamos falar, de terapia, de acompanhamento ou então de um remédio adequado.” Apesar de o canabidiol ser, em tese, disponibilizado pelo SUS para tratamentos como epilepsia refratária e esclerose múltipla, a burocracia e as limitações na cobertura tornam o acesso na prática muito difícil. Rafael Loyola, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá, confirma a alta demanda entre os trabalhadores, que utilizam o óleo principalmente para dores crônicas e no apoio a patologias mentais, que não estão na cobertura do sistema público. “Ainda tem muitos trabalhadores que sofrem pelo trabalho repetitivo de dores crônicas e fazem um grande bem para essas questões e além disso tem a questão dos trabalhadores que têm patologias na família de autismo e vem tendo uma procura, nós não sabíamos a importância do óleo na utilização da patologia de autismo e o custo é muito alto quando você procura esse remédio. Quando as pessoas procuram alguma maneira para ter esse remédio é importado, é um absurdo, então com a parceria, o custo ficou muito acessível aos trabalhadores.” Essa demanda atendida pela parceria com os sindicatos reflete um crescimento que exige novos espaços e serviços, como explica Andreia Ferreira. “Nós vamos mudar para o espaço ao lado, aqui ficou pequeno. Nós não vamos ficar apenas nas consultas, queremos, além das consultas, ter terapias, ter o acompanhamento, porque é isso que a Flor da Vida faz.” O acesso por meio do poder público também é uma realidade, através de outros modelos de convênio. Em Ribeirão Pires, também no ABC Paulista, um acordo entre a associação e a prefeitura garante o óleo gratuitamente a famílias como a de Lídia Godoy. Seu filho Matheus, diagnosticado com autismo, TDAH e Transtorno Opositivo-Desafiador, faz uso do canabidiol há oito meses. “De lá pra cá, ele está uns 95% diferente do que era antes, ele não tinha interação social, ele não se dava muito com os alimentos, texturas e depois do óleo, mudou completamente”, celebra a mãe do pequeno Matheus. Para o presidente e fundador da Associação Flor da Vida, Enor Machado, o caminho percorrido por essas famílias ilustra o potencial que vai além do consultório. “A cannabis chega trazendo isso aí, fazendo esse diálogo entre a planta, entre a associação e o paciente, mostrando também a possibilidade econômica dessa planta de ajudar os pacientes, ajudar a associação, mas também fazer parte do poder público.” Confira a reportagem: E tem mais: Observatório Mulheres da Periferia transforma vivência em dados e incidência política. Dez anos sem Berta Cáceres. A filha segue na linha de frente, defendendo rios, territórios e o legado do povo Lenca. Confira uma entrevista exclusiva. Cruzador Aurora (Rússia), o navio que disparou o sinal da Revolução de 1917. Um século depois, ainda ecoa memória, poder e história. Bolo de milho com flocão! Na cozinha, a chef Gema Sotto ensina uma receita sem glúten, fácil e feita com ingredientes orgânicos da Reforma Agrária. Quando e onde assistir?No YouTube do Brasil de Fato todo sábado às 13h30, tem programa inédito. Basta clicar aqui. Na TVT: sábado às 13h; com reprise domingo às 6h30 e terça-feira às 20h no canal 44.1 – sinal digital HD aberto na Grande São Paulo e canal 512 NET HD-ABC. Na TV Brasil (EBC), sexta-feira às 6h30. Na TVE Bahia: sábado às 12h30, com reprise quinta-feira às 7h30, no canal 30 (7.1 no aparelho) do sinal digital. Na TVCom Maceió: sábado às 10h30, com reprise domingo às 10h, no canal 12 da NET. Na TV Floripa: sábado às 13h30, reprises ao longo da programação, no canal 12 da NET. Na TVU Recife: sábados às 12h30, com reprise terça-feira às 21h, no canal 40 UHF digital. Na UnBTV: sextas-feiras às 10h30 e 16h30, em Brasília no Canal 15 da NET. TV UFMA Maranhão: quinta-feira às 10h40, no canal aberto 16.1, Sky 316, TVN 16 e Claro 17. Sintonize No rádio, o programa Bem Viver vai ao ar de segunda a sexta-feira, das 7h às 8h, com reprise aos domingos, às 10h, na Rádio Brasil de Fato. 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