
folha.uol.com.br · Feb 20, 2026 · Collected from GDELT
Published: 20260220T004500Z
Ministros de Energia não conseguiram chegar a um acordo sobre o combate às mudanças climáticas durante uma reunião de dois dias da AIE (Agência Internacional de Energia), marcada por um ataque contínuo às ambições de emissões líquidas zero por parte do secretário de Energia dos EUA, Chris Wright. Diferentemente dos últimos anos, os ministros não concordaram com uma posição conjunta após as conversas, em um sinal das divisões provocadas pelos EUA. Reino Unido, França e Espanha ficaram entre os países que defenderam a importância das fontes renováveis. Planeta em Transe Uma newsletter com o que você precisa saber sobre mudanças climáticas Um resumo da reunião preparado pela presidente Sophie Hermans, ministra de Energia holandesa, focou amplamente a "segurança energética". O documento observou que uma "grande maioria dos ministros enfatizou a importância da transição energética para combater as mudanças climáticas", fazendo referência ao acordo climático da COP28 da ONU em Dubai para uma transição global rumo a emissões líquidas zero. Isso veio após uma afirmação da "contínua importância do petróleo e do gás".Fatih Birol, diretor do órgão internacional de vigilância energética, disse nesta quinta-feira (19) que os ministros "concordaram em diferentes discussões que a segurança energética é o fundamento de tudo". Ministros já haviam falhado em alcançar acordos anteriormente, mas a falta de um comunicado conjunto contrasta com reuniões ministeriais anteriores da AIE, onde havia consenso sobre o combate às mudanças climáticas. Os ministros alertaram em sua última reunião, em 2024, que eventos climáticos extremos "enfatizam a urgência de acelerar as transições para energia limpa" e fizeram referência a uma "tripla crise planetária: mudanças climáticas, poluição e perda de biodiversidade". A defesa morna da ação climática neste ano ocorreu enquanto os EUA continuaram seu ataque às perspectivas de políticas de emissões líquidas zero da AIE na reunião em Paris, refletindo diferenças marcantes na política energética entre os EUA e a Europa. Os EUA ameaçaram repetidamente se retirar da AIE, mas Wright também disse que não queria arriscar que a China ganhasse mais influência sobre a agência. O secretário de Energia —e fundador do grupo petrolífero Liberty Energy— disse que continuaria a pressionar a AIE ao longo do "próximo ano ou mais" para que abandone a defesa das emissões líquidas zero. Birol não quis comentar se tentará a renovação de seu mandato, que termina em setembro de 2027. Ele também saudou o progresso rumo a uma expansão dos membros da AIE com quatro novos países — Colômbia, Brasil, Índia e Vietnã. Na quinta-feira, Wright também atacou os Estados-membros europeus por estarem "fora do caminho na política energética", depois que o presidente Donald Trump criticou um acordo de cooperação em energia limpa entre o Reino Unido e o governador da Califórnia, Gavin Newsom, que definiu como "inapropriado". Falando nos bastidores do evento da AIE, o secretário de Energia do Reino Unido, Ed Miliband, defendeu sua abordagem para expandir o fornecimento britânico de energia limpa. "Os EUA têm todo o direito de perseguir o que consideram ser seu interesse nacional, e outros países perseguirão seus próprios interesses nacionais", disse Miliband a jornalistas. "Para a grande maioria dos países, a transição para energia limpa é imparável." Roland Lescure, seu homólogo francês, disse: "Estamos convencidos de que as mudanças climáticas são tanto uma realidade quanto uma ameaça que devemos combater. E isso significa, é claro, investir massivamente em energia descarbonizada". Tanto Miliband quanto Lescure disseram que a Europa poderia chegar a um acordo com os EUA em outras prioridades nas quais têm pontos em comum, como a expansão da energia nuclear. O ministro de Energia irlandês, Darragh O'Brien, disse ao FT que "é melhor ter os EUA dentro da AIE do que fora". Os ministros chegaram a um acordo sobre uma declaração para aprimorar o monitoramento do fornecimento de matérias-primas críticas e promover o acesso a combustíveis limpos para cozinha, após apoio dos EUA.