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A morte do desejo sexual - e o grande debate sobre uso da testosterona para resgatar a libido
opovo.com.br
Published about 4 hours ago

A morte do desejo sexual - e o grande debate sobre uso da testosterona para resgatar a libido

opovo.com.br · Feb 22, 2026 · Collected from GDELT

Summary

Published: 20260222T174500Z

Full Article

Como membro do grupo masculino de striptease The Dreamboys nos anos 1990, Alan Reeves regularmente subia ao palco e tirava a roupa para milhares de pessoas. Era tão requisitado que, ao lado do grupo de dançarinos, chegou a fazer uma ponta no filme das Spice Girls, Spice World. Então com 24 anos era, como ele mesmo define, "um galã".Quando chegou aos 30 anos, contudo, Reeves se viu em uma situação bem diferente: sua disposição não era mais a mesma e sua libido havia praticamente desaparecido."Eu simplesmente não me sentia bem", diz ele.Agora com 52 anos, o ex-dançarino afirma que sua falta de desejo sexual começou a ter um impacto negativo em seu relacionamento. "Ficávamos sem sexo por três, quatro meses seguidos. Eu simplesmente não tinha interesse", conta."Esse tipo de coisa pode levar casais a romperem."Hoje coach de fitness e lifestyle em Londres, Reeves começou a fazer terapia de reposição de testosterona (TRT) e diz que o tratamento lhe devolveu a libido. Transformou-o "de um velho rabugento" em alguém que se sente como se tivesse voltado aos 20 anos. A sensação é "fenomenal", diz ele.Mulheres também estão recorrendo à testosterona.Rachel Mason, uma blogueira de 37 anos que escreve sobre temas relacionados à menopausa, diz que o hormônio tem sido "incrível" para manter altos seus níveis de energia, concentração e libido. Em países como o Reino Unido, onde as estatísticas apontam uma redução do apetite sexual de forma geral, as prescrições de testosterona têm crescido substancialmente.Os dados mais recentes da NHS Business Authority (órgão ligado ao Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido e ao Departamento de Saúde e Assistência Social), compilados pela Care Quality Commission, apontam aumento de 135% entre 2021 e 2024.Em 2010, pessoas entre 16 e 44 anos no país relataram fazer sexo em média três vezes por mês, conforme os dados compilados pela Pesquisa Nacional de Comportamento Sexual e Estilo de Vida (Natsal, na sigla em inglês), realizada a cada dez anos com mais de 10 mil entrevistas. O número é menor do que o registrado no ano 2000, quando britânicos adultos afirmaram fazer sexo quatro vezes por mês, e do que na década de 1990, quando a média era de cinco vezes por mês.Os próximos resultados estão previstos para serem divulgados no final deste ano, e os pesquisadores esperam que a tendência de queda continue — embora não apontem um motivo isolado para o declínio.Nesse contexto, um debate está ganhando força: aumentar a testosterona pode melhorar a libido, ou grande parte da atenção dada ao assunto é apenas propaganda, busca por lucro e efeito placebo?Redução do desejo sexualA experiência de Alan Reeves com a diminuição da libido é apenas um exemplo de uma tendência que, segundo pesquisadores, está se tornando cada vez mais comum."Ao longo dos anos, notamos uma queda em todos os grupos demográficos", diz Soazig Clifton, diretora acadêmica da Natsal."Há menos casais vivendo juntos do que na década de 90, por exemplo, o que poderia ajudar a explicar a redução do desejo sexual, mas, mesmo quando analisamos especificamente esse grupo, houve uma diminuição."De fato, algumas das quedas mais acentuadas na frequência sexual foram observadas entre casais mais velhos, casados ​​ou que vivem na mesma casa.Clifton afirma que é difícil dizer de maneira conclusiva por que o desejo sexual parece estar diminuindo."Nenhum dado que temos até agora pode realmente nos dizer com segurança por que, como população, não estamos mais fazendo sexo com tanta frequência", diz ela.Um fator destacado entre estudos sobre o tema é o mundo digital e hiperconectado no qual vivemos e do qual é difícil de se desligar.Os níveis de estresse também são hoje, de forma geral, mais altos do que eram há 30 anos, o que pode contribuir, pontua Ben Davis, clínico geral e terapeuta sexual."As pessoas têm tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo", comenta ele. "Há a tecnologia, obviamente, mas também há um aumento no estresse, na depressão, na solidão [...] tudo isso contribui para a redução do desejo sexual."E há ainda a tendência de diminuição nos níveis de testosterona, um tema que tem gerado muito interesse online e se converteu em um grande negócio."Os níveis de testosterona nos homens estão definitivamente diminuindo", diz o professor Geoffrey Hackett, urologista consultor e membro da Sociedade Britânica de Medicina Sexual."O aumento da obesidade, do diabetes tipo 2, o número crescente de pessoas que levam vidas mais sedentárias — tudo isso reduz os níveis de testosterona. E a queda nos níveis de testosterona vai ser um fator na diminuição do nosso desejo sexual."Diversos estudos abrangentes realizados nos últimos 20 anos que mediram os níveis de testosterona em homens sugerem que esses níveis diminuíram.Hackett ressalta, no entanto, que o quadro é complexo: ter baixa testosterona aumenta a probabilidade de se ter baixa libido, mas isso não significa que todos aqueles que têm baixos níveis de testosterona terão baixo desejo sexual.Apesar dessa complexidade, estações de metrô, pontos de ônibus e redes sociais estão repletos de anúncios como frases de efeito como: "Baixa libido? Confusão mental? Cansado? Hora de verificar seus níveis de testosterona! Seu parceiro perdeu o brilho? Podem ser os hormônios!"Nesse sentido, a terapia de reposição de testosterona (TRT) pode realmente oferecer uma solução milagrosa para a baixa libido?Testosterona 'me deu minha vida de volta'Melissa Green toma testosterona há quase um ano. Ela diz que isso não só lhe devolveu "o entusiasmo pela vida", como também salvou seu casamento.Aos 43 anos, ela afirma que sua baixa libido estava tendo um grande impacto em seu relacionamento.Por estar na perimenopausa, seu médico já havia prescrito estrogênio e progesterona por meio de terapia de reposição de testosterona (TRT), mas Green diz que o profissional se recusou a verificar seus níveis de testosterona, alegando que ela não precisava de suplementação do hormônio.Mulheres produzem testosterona em pequenas quantidades, e as diretrizes do Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS, na sigla em inglês) indicam que a testosterona pode ser prescrita para mulheres com transtorno do desejo sexual hipoativo, caracterizado por pouco ou nenhum desejo sexual.A condição pode afetar mulheres de qualquer idade, mas tende a atingir o pico por volta da menopausa.Green eventualmente foi a uma clínica particular por conta própria, fez exames de sangue e foi informada de que seus níveis estavam baixos. Depois de levar os resultados ao seu médico de família, ela agora recebe testosterona pelo sistema de saúde britânico e um pequeno complemento por meio de uma receita particular."Isso me devolveu a vida. De certa forma, sinto que voltei aos meus 20 anos", diz ela. "Tenho mais energia, me sinto mais alerta e meu desejo sexual voltou." Melissa Green e seu marido, Marcus Enquanto algumas pessoas são efusivas sobre o impacto da testosterona na libido, outras dizem que ela teve efeitos menos desejáveis.Cheryl O'Malley fez terapia de reposição de testosterona por um ano. Ela diz que, embora possa ter ajudado a recuperar parte da energia que havia perdido durante a menopausa, também aumentou demais seu desejo sexual e a deixou com sentimentos intensos de raiva."Eu estava muito excitada. Queria fazer sexo com meu marido, mas ao mesmo tempo o odiava."É aí que você percebe que não está bem, que não sou eu, que me sinto fora de controle."Rachel Mason diz que, quando publica postagens sobre a terapia de reposição, percebe que "muitas mulheres têm medo de começar a terapia de reposição de testosterona por que temem se tornar masculinas, desenvolver pelos faciais, de se perderem." Rachel Mason diz que a testosterona tem sido 'incrível' para ela Mason diz que tem uma "parte particularmente mais peluda" no pulso onde aplica seu gel de testosterona diariamente, mas que os benefícios que obtém com o hormônio valem a pena.Além do aumento de pelos no corpo, a TRT pode causar uma série de outros efeitos colaterais. Para as mulheres, os efeitos mais comuns são crescimento excessivo de pelos, acne e ganho de peso, que geralmente são reversíveis com a redução da dosagem ou a interrupção do tratamento. Alopecia e engrossamento da voz são raros.Para os homens, os efeitos colaterais podem variar entre ganho de peso, ereções dolorosas e prolongadas, calvície e alterações de humor. Também pode levar à diminuição da produção de espermatozoides, o que pode afetar a fertilidade. Existem tratamentos que podem ajudar, mas recomenda-se aconselhamento médico.'Mina de ouro'Alguns médicos clínicos gerais e consultores em atenção secundária (aquela dada por profissionais de saúde especializados) do NHS disseram à BBC que clínicas privadas estão lucrando com a venda de TRT como uma solução rápida para um problema complexo.Paula Briggs, consultora do NHS em saúde sexual e reprodutiva, descreve isso como uma "mina de ouro" (ou "gravy train", expressão em inglês usada para descrever situações de onde se tira dinheiro fácil com pouco esforço), em que muitas pessoas acabam pagando muito dinheiro por algo de que não precisam."Está fora de controle", diz ela. "A indústria do bem-estar criou essa lacuna no mercado que está usando a seu favor. É abusivo."Clínicas privadas, no entanto, afirmam que estão melhorando a vida das pessoas ao oferecer um serviço que o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido não consegue fornecer.Jeff Foster, clínico geral do NHS e diretor médico da Voy, uma clínica multimilionária especializada em saúde masculina, afirma que o setor privado está preenchendo uma lacuna no atendimento."No momento, o NHS não está preparado para diagnosticar ou tratar os milhares de homens que podem ter baixa testosterona."Michael Kocsis oferece terapia de reposição de testosterona por meio de sua empresa, Balance My Hormones, desde 2016. Ele afirma que viu a demanda crescer "exponencialmente" nos últimos anos.Kocsis diz que alguns de seus pacientes fizeram exames no NHS e foram info


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